quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Janeiro é o fim




Fevereiro – Frio. Não se passa nada de especial, para além do Carnaval. Mas passa rápido.

Março – Frio e alergias, mas já se avistam os primeiros sinais de dias maiores e da Primavera.

Abril – Férias da Páscoa, solzinho de Primavera a bater na cara, largamos os casacos. Alguma chuvinha, mas a disposição reina! Se conseguirmos ir a praia melhor ainda.

Maio – Boa disposição, calor e serenidade. A alegria do fim do ano.

Junho – O verão aproxima-se! Calor, festas, dias enormes! Fim das aulas. Exames…

Julho – Está demasiado calor, e ainda estamos retidos em Lisboa… exames… safam-nos as praias aqui ao lado de vez em quando. Mas ninguém nos tira a felicidade do verão.

Agosto – Férias!!! Já não é sinónimo de bom tempo, mas de descansar, sair, descansar, sair, descansar. Os dias já não são tão grandes, mas ninguém repara. Viagens.

Setembro – Ainda de férias, o tempo melhora. Acabou o verão, e já apetece outra coisa. O mês da vida nova e dos planos, de rever os amigos. O mês das vindimas, do olá ao Outono e da sua luz mágica. Aquele cheirinho a livros novos. (Ou então praia praia praia).

Outubro – Aquela maravilhosa luz dourada do Outono. As folhas a acastanharem. Os primeiros sinais de frio ainda com sol. O sol de Outono. O cheirinho impagável do Outono.

Novembro – As primeiras chuvas, as castanhas assadas. As chuvas torrenciais e as trovoadas. Bonitas, incómodas, ou assustadoramente belas. O céu subitamente limpo, e o cheirinho a folhas molhadas da chuva, e da própria chuva acabada de cair. O cheirinho a lenha a queimar. O sol a bater na cara depois da chuva. De casacos bem quentinhos.

Dezembro – O Natal, as luzes, o frio, as canções, o presépio, a lareira, os doces, os passeios, as compras, a mantinha, o chá, os filmes, a neve, a música ambiente, a alegria, a festa, a amizade, o amor, o silêncio e o crepitar.

Janeiro – A queda. O fim de Dezembro. É uma seca. Passa devagar, não se passa nada e está frio. O frio deprimente do pós-natal, quando se desfazem as árvores e os presépios, e cessa toda a magia das ruas. O nevoeiro que entra pelos ossos. O vazio. Quando já tivemos frio que chegasse, e o calor nunca mais vem. Para os estudantes é a época dos exames, ou da matéria mais chata e mais densa. É o fim.
E tem 31 dias.


Post Scriptum: Devo revelar que escrevi este texto em Novembro, e queria deixar duas notas: Dezembro não teve ruas tão mágicas, e Janeiro está a surpreender-me com todo este sol! Que não se cumpra agora o inevitável “deitar foguetes antes do tempo”. Mais uma vez… Feliz 2012!