sábado, 8 de setembro de 2012

Choque Erásmico: Budapeste


"Parti para esta grande aventura. Deixei para trás o sol, as cores, a alegria e o calor. Os meus amigos, conhecidos e família. Deixei a praia, o amor, a luz, a boa comida e as horas tardias. Felizmente deixei também a preguiça. De repente, estou num sítio frio, sem luz natural, onde a pontualidade e o cedo das coisas é um balde de água fria. Neste sítio toda a gente me é desconhecida. Cores nem vê-las, e amigos muito menos. Falha-me o fenómeno da globalização. Mas gosto da neve, do rio e das praças. A cidade é fria, mas aconchega. Cidade não muito grande, mas grandiosa, e de uma beleza sufocante. Espero pelo dia em que o sol brilhe, para o ver desfazer-se em tons laranja e rosados sobre os telhados ainda brancos da neve, para além do rio. Sobre as pontes e palácios iluminados, montes verdes mas esbranquiçados, carris de eléctricos, barcos e bicicletas. Bancos de jardim, candeeiros floreados. Desenganem-se os que leram as primeiras linhas, este sítio é um espanto. Tem o lado frio e altivo da beleza. Não é uma fotografia com muitas cores, mas quem não gosta de uma boa fotografia a preto e branco? É mágico. E pouco a pouco, ganho novos amigos, que dão uma nova cor.. A boa comida ainda hei-de descobrir. E amor? Já me apaixonei por Budapeste."

Este texto foi escrito nos meus primeiros dias em Budapeste, em pleno inverno. É engraçado olhar para trás agora, e ver como eu via aquela cidade quando lá cheguei. No entretanto a primavera chegou, o sol brilhou, e a cidade saiu à rua. Mudou. Mas sempre com a mesma e sufocante beleza.

Sem comentários:

Enviar um comentário