O mar diz-nos “Era uma vez…”. O mar assistiu a toda a História,
a todo o Princípio, a todo o Acontecer. Guarda-os no fundo, em baús enterrados,
que, de quando em vez, soltam-nos pedaços para deles não nos esquecermos. É daí
que vem o som das ondas. As ondas, as contadoras dessas histórias longínquas,
que voltam para os baús das profundezas e aí permanecem eternamente. São folhas
soltas que ondulam, conforme o vento e a lua. O sol dá-lhes a cor, a fantasia,
a emoção de que qualquer história precisa.
Mas nós, seres brutos e apáticos, não sabemos ouvir o mar. Dizemos
que sabemos, mas não sabemos. Há só uma pequena parte de nós, seres brutos, que
apesar de brutos, sabe como o cativar. Os pescadores, esses homens do mar, que
vivem do mar e para o mar, eles sim, eles sabem. Eles ouvem as histórias que o
mar tem para contar. E eu um dia quero ouvir as histórias de um pescador,
porque não sei ouvir o mar.

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