quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Era uma vez o McDonalds


Ora bem, hoje almocei no McDonalds. Pedi o meu menu e fui sentar-me calmamente no meu cantinho, muito sossegada, como sempre foi hábito meu naquele restaurante. Passados nem 5 minutos, para minha surpresa, fui interpelada por uma empregada, que veio à minha mesa perguntar "se eu ia desejar sobremesa". Com os olhos arregalados e a boca cheia de batatas (ela que me desculpe), balbuciei um ‘Não, obrigada’. Agora já interrompem o momento sossegado do almoço para impingirem as sobremesas? E fiquei a pensar que talvez não tivesse sido suficientemente clara no meu pedido. Se um ser humano quer uma sobremesa, o ser humano pedirá uma sobremesa. Tem cabecinha e pezinhos para isso. Mas só servem para ir despejar o lixo do tabuleiro, ora q'esta! 
Estranham tanta indignação perante a simpatia da moça. A moça não tem culpa, coitada. Mas… ali?! Toda esta obsessão pela melhoria dos serviços está a dar cabo daquilo que é um verdadeiro McDonalds. Provavelmente, daqui a uns tempos, serão espaços fechados com música clássica de fundo, os menus virão em pratos de cristal – quiçá em vez de molho de alho trarão um molhinho suave de caviar – e haverá um empregado para cada mesa, de laço e paletot, que não deixará o copo de vinho esvaziar. E chamar-se-á Gold McDonald’s. Mas fora de divagações. Recordando o que era esta cadeia há 10 anos atrás – aquele ambiente meio infantil, colorido, com o simpático e nosso conhecido palhaço Ronald McDonald, e com um serviço realmente despachado, eficiente e prático – quem imaginava que viria a ter este actual ambiente saudável e sóbrio (quase vegetariano, arrisco), e agora já com serviço de mesa? Ah, mas este último é só para a sobremesa, para atacar os estômagos já cheios de produto seu, e que precisam agora de algo que lhes tire a “boca de lacaio”. Que eu bem vi ela a passar para a mesa atrás de mim com um delicioso prato de cheesecake. Porque se eu me sentasse à espera que me viessem servir o almoço, era mais provável que morresse à fome. E que se note, o serviço "melhorado" é cada vez mais lento.

Isto pode parecer tudo muito inofensivo, até começarem a pedir Dez Euros (sim, mesmo por extenso e com maiúsculas, para pesar mais) por menu, para cobrir os custos da melhoria do serviço. 
Que se lixe o serviço melhorado. Eu não sou esquisita e admito: adoro aquele monte delicioso de calorias capaz de consolar uma pedra e explodir artérias, e adorava a antiga metodologia mcdonaldiana do ‘pede-toma-e-vai-te-embora’.

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