segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Manda a Lei...


Não há qualquer e nenhuma maneira de escolhermos a fila certa no supermercado. É um esforço desperdiçado, escolham uma ao calhas e pronto.
Porquê? A minha experiência provou-me que a Lei de Murphy está certa: se alguma coisa puder correr mal, VAI correr. Pelo menos nas filas dos supermercados. Vejamos:
Temos a automática tendência para escolher a fila com menos gente. Depois de olharmos para as outras intermináveis e pensarmos “coitados... ainda bem que vim para esta… desculpem lá, vou chegar mais depressa a casa do que vocês!”, reparamos às tantas que, ao contrário deles, estamos a avançar a passo de caracol… quase a retroceder, diria. Mas já é tarde para mudar de fila. Intrigados, esticamos o pescocinho e deparamo-nos com uma menina da caixa incrivelmente panhonhas, tão lenta que nos perguntamos se o tempo terá parado sem nos apercebermos. Não, que disparate. Com certeza que apenas se entretém a ler tudo o que está escrito nas embalagens enquanto passa o código de barras. É só isso…!
Outra situação muito gira: quando nos achamos muito espertos, e, em vez de escolhermos a fila mais pequena, observamos qual das meninas da caixa é a mais despachada, e corremos para essa. Novamente orgulhosos de nós próprios e com pena das pessoas que estão nas outras filas, avançamos que nem lebres. Que bom, já só falta uma pessoa! Que bom, já está a puxar do seu cartão de multibanco para pagar. Que bom, já está a pagar! E – zzoiinn – o sistema de multibanco avariou. E o mundo pára, porque é preciso arranjá-lo, chamar alguém (as meninas da caixa nunca são auto-suficientes), fazer verificações, anulações, raios e coriscos. E aí temos a hesitação eterna. Podemos mudar de fila, porque, embora pareçam todas a muralha da china, o problema do multibanco deixa-nos impacientes e numa situação incerta. Por outro lado, quase pomos as mãos no fogo em como, mal percamos o nosso lugar na fila, a caixa onde estávamos volta à rotina. Mas quem vai ao mar perde o lugar, não é? (E acreditem em mim: se escolhermos ficar quietinhos no nosso lugar, o problema do multibanco não se vai resolver tão cedo. Mas se escolhermos mudar de fila, ai então aí é num instantinho que se recompõe!).
Outra versão desta situação: a senhora que está à nossa frente vai pagar com dinheiro. Yes! E então, nos seus 70 e tal anos, a senhora puuuxa da carteeeira.... aaaabre o feeeechoo... uuuuups não tem nenhuma nooota...aaabre a bolsinha das moeeeedas....e comeeeça a contaaar 99 moeeedas de 1 ceeentimooo...... claro que se engana no dinheiro, e demora algum tempo a aceitar a ajuda da menina já exasperada (mas despachada e muito eficiente) da caixa. A esta altura olhamos para a fila que estivemos quase, quase, para escolher, e a pessoa que estaria atrás de nós já se está a dirigir para a saída toda contente. Tentamos não bufar para não parecermos malcriados e esperamos, esperamos...
Também podemos escolher aquela fila em que os dois critérios se equilibram: a menina da caixa 1 é a mais despachada, e a fila da caixa 3 é a mais pequena. Então toca a escolher a 2, o meio-termo. O que é que pode acontecer? Óbvio. A fila 3 é a mais pequena e por isso evapora-se mais rapidamente, e a da caixa 1 dissipa-se pela rapidez da menina. Acontece a magia de, por acaso e simplesmente, as outras caixas funcionarem como, aliás, manda a lógica!
Porém, há um truque! Nova decisão a tomar, fazemos uma escolha, seja em que base for, e pensamos 'Ora muito bem, eu escolheria esta. Mas hoje não vou cair na esparrela, ahah, vou antes para aquela!!' Esqueçam, NÃO funciona. Achar que enganamos o maldito destino das caixas de supermercado é uma afirmação prepotente da nossa parte. O jogo das filas de supermercado parece um jogo de táctica, mas na verdade é de pura sorte. Normalmente de azar. Surpresa!

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