Assim foi a minha viagem ontem para o outro lado do rio. Se é que havia o outro lado. Por momentos duvidei. Mas se houvesse algo ou alguém do outro lado, seria decerto D.Sebastião. Mas era só do outro lado, porque em Lisboa reinava Apolo. D. Sebastião preferiu Almada para reaparecer. Ou não tivesse ele partido para o Sul.
Em vez de conversar com os meus botões, rir de mim para comigo e divagar sobre assuntos e episódios substancialmente inúteis que de outra forma esqueceria pouco tempo depois, escrevo e eternizo enquanto bebo um chá. Frio, mas chá. No Inverno já será quentinho.
sábado, 10 de dezembro de 2011
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Era uma vez o McDonalds
Ora bem, hoje almocei no McDonalds. Pedi o meu menu e fui sentar-me calmamente no meu cantinho, muito sossegada, como sempre foi hábito meu naquele restaurante. Passados nem 5 minutos, para minha surpresa, fui interpelada por uma empregada, que veio à minha mesa perguntar "se eu ia desejar sobremesa". Com os olhos arregalados e a boca cheia de batatas (ela que me desculpe), balbuciei um ‘Não, obrigada’. Agora já interrompem o momento sossegado do almoço para impingirem as sobremesas? E fiquei a pensar que talvez não tivesse sido suficientemente clara no meu pedido. Se um ser humano quer uma sobremesa, o ser humano pedirá uma sobremesa. Tem cabecinha e pezinhos para isso. Mas só servem para ir despejar o lixo do tabuleiro, ora q'esta!
Estranham tanta indignação perante a simpatia da moça. A moça não tem culpa, coitada. Mas… ali?! Toda esta obsessão pela melhoria dos serviços está a dar cabo daquilo que é um verdadeiro McDonalds. Provavelmente, daqui a uns tempos, serão espaços fechados com música clássica de fundo, os menus virão em pratos de cristal – quiçá em vez de molho de alho trarão um molhinho suave de caviar – e haverá um empregado para cada mesa, de laço e paletot, que não deixará o copo de vinho esvaziar. E chamar-se-á Gold McDonald’s. Mas fora de divagações. Recordando o que era esta cadeia há 10 anos atrás – aquele ambiente meio infantil, colorido, com o simpático e nosso conhecido palhaço Ronald McDonald, e com um serviço realmente despachado, eficiente e prático – quem imaginava que viria a ter este actual ambiente saudável e sóbrio (quase vegetariano, arrisco), e agora já com serviço de mesa? Ah, mas este último é só para a sobremesa, para atacar os estômagos já cheios de produto seu, e que precisam agora de algo que lhes tire a “boca de lacaio”. Que eu bem vi ela a passar para a mesa atrás de mim com um delicioso prato de cheesecake. Porque se eu me sentasse à espera que me viessem servir o almoço, era mais provável que morresse à fome. E que se note, o serviço "melhorado" é cada vez mais lento.
Isto pode parecer tudo muito inofensivo, até começarem a pedir Dez Euros (sim, mesmo por extenso e com maiúsculas, para pesar mais) por menu, para cobrir os custos da melhoria do serviço.
Que se lixe o serviço melhorado. Eu não sou esquisita e admito: adoro aquele monte delicioso de calorias capaz de consolar uma pedra e explodir artérias, e adorava a antiga metodologia mcdonaldiana do ‘pede-toma-e-vai-te-embora’.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
O Nome das Coisas
O garfo e a faca. Masculino e feminino. Não. Não faz sentido. “O” garfo é pequeno, elegante, com curvas e cabelo, ainda que espetado para cima, qual Marge Simpson. “A” faca é grande, alta, robusta, forte e perigosa. Com um certo ar protector em relação ao garfo. Os garfos dão a comida à boca, tarefa de mãe. As facas usam a força para cortar a carne e empurrar o arroz, tarefa de pai. Devia ser a garfa e o faco. Mas longe de mim alterar o Nome das Coisas.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Para o Outono
Olá Outono.
Há um mês estava na praia. Já não estava o calor do Verão, estava quente. Já não estava sol forte, estava luz. O mar já começava a bater nas rochas. O dia já não era interminável. Tive a noção de que era a despedida. Fui até ao mar, atraída pela forte fragrância, fresca e salgada. Não sei quanto tempo fiquei ali, mas com o Verão não tomei banho mais longo, nem mais silencioso. Saí, olhei para trás. O céu já recebia a tua palidez cor de rosa, e o vento leve tirava-me o calor da pele. Lavei a cara com água salgada como quem lava a alma, sabendo que estavas a chegar. E disse adeus, para te receber.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Manda a Lei...
Não há qualquer e nenhuma maneira de escolhermos a fila certa no supermercado. É um esforço desperdiçado, escolham uma ao calhas e pronto.
Porquê? A minha experiência provou-me que a Lei de Murphy está certa: se alguma coisa puder correr mal, VAI correr. Pelo menos nas filas dos supermercados. Vejamos:
Temos a automática tendência para escolher a fila com menos gente. Depois de olharmos para as outras intermináveis e pensarmos “coitados... ainda bem que vim para esta… desculpem lá, vou chegar mais depressa a casa do que vocês!”, reparamos às tantas que, ao contrário deles, estamos a avançar a passo de caracol… quase a retroceder, diria. Mas já é tarde para mudar de fila. Intrigados, esticamos o pescocinho e deparamo-nos com uma menina da caixa incrivelmente panhonhas, tão lenta que nos perguntamos se o tempo terá parado sem nos apercebermos. Não, que disparate. Com certeza que apenas se entretém a ler tudo o que está escrito nas embalagens enquanto passa o código de barras. É só isso…!
Outra situação muito gira: quando nos achamos muito espertos, e, em vez de escolhermos a fila mais pequena, observamos qual das meninas da caixa é a mais despachada, e corremos para essa. Novamente orgulhosos de nós próprios e com pena das pessoas que estão nas outras filas, avançamos que nem lebres. Que bom, já só falta uma pessoa! Que bom, já está a puxar do seu cartão de multibanco para pagar. Que bom, já está a pagar! E – zzoiinn – o sistema de multibanco avariou. E o mundo pára, porque é preciso arranjá-lo, chamar alguém (as meninas da caixa nunca são auto-suficientes), fazer verificações, anulações, raios e coriscos. E aí temos a hesitação eterna. Podemos mudar de fila, porque, embora pareçam todas a muralha da china, o problema do multibanco deixa-nos impacientes e numa situação incerta. Por outro lado, quase pomos as mãos no fogo em como, mal percamos o nosso lugar na fila, a caixa onde estávamos volta à rotina. Mas quem vai ao mar perde o lugar, não é? (E acreditem em mim: se escolhermos ficar quietinhos no nosso lugar, o problema do multibanco não se vai resolver tão cedo. Mas se escolhermos mudar de fila, ai então aí é num instantinho que se recompõe!).
Outra versão desta situação: a senhora que está à nossa frente vai pagar com dinheiro. Yes! E então, nos seus 70 e tal anos, a senhora puuuxa da carteeeira.... aaaabre o feeeechoo... uuuuups não tem nenhuma nooota...aaabre a bolsinha das moeeeedas....e comeeeça a contaaar 99 moeeedas de 1 ceeentimooo...... claro que se engana no dinheiro, e demora algum tempo a aceitar a ajuda da menina já exasperada (mas despachada e muito eficiente) da caixa. A esta altura olhamos para a fila que estivemos quase, quase, para escolher, e a pessoa que estaria atrás de nós já se está a dirigir para a saída toda contente. Tentamos não bufar para não parecermos malcriados e esperamos, esperamos...
Também podemos escolher aquela fila em que os dois critérios se equilibram: a menina da caixa 1 é a mais despachada, e a fila da caixa 3 é a mais pequena. Então toca a escolher a 2, o meio-termo. O que é que pode acontecer? Óbvio. A fila 3 é a mais pequena e por isso evapora-se mais rapidamente, e a da caixa 1 dissipa-se pela rapidez da menina. Acontece a magia de, por acaso e simplesmente, as outras caixas funcionarem como, aliás, manda a lógica!
Porém, há um truque! Nova decisão a tomar, fazemos uma escolha, seja em que base for, e pensamos 'Ora muito bem, eu escolheria esta. Mas hoje não vou cair na esparrela, ahah, vou antes para aquela!!' Esqueçam, NÃO funciona. Achar que enganamos o maldito destino das caixas de supermercado é uma afirmação prepotente da nossa parte. O jogo das filas de supermercado parece um jogo de táctica, mas na verdade é de pura sorte. Normalmente de azar. Surpresa!
domingo, 23 de outubro de 2011
Africana (e não sul-americana)
Menina de ombros queimados, salgados
Caracóis de carvão sobre eles caídos
Para baixo olha, com olhos feridos
E seus pés parecem enganados,
Pois ela...
Com os pés dança, dança descalça
Sua cintura realça
Beleza africana, angolana
E sorri, magoada mas genuína
Africana, angolana menina
Africana, angolana menina
Debaixo do sol ela dança e chora
Debaixo da lua ela chora e dança
Sua saia de palha abana e entrança
E nunca, nunca se vai embora.
Mas ela...
Com os pés dança, dança descalça
Sua cintura realça
Beleza africana, angolana
E sorri, magoada mas genuína
Africana, angolana menina
Africana, angolana menina
domingo, 16 de outubro de 2011
Sem disfarces
Há coisas no mundo que me espantam. Mas nenhuma como a ilimitada imaginação humana, aplicada em coisas tão simples. E assim, sem photoshop e com uma flor, transforma-se em bailarina uma mulher.
domingo, 2 de outubro de 2011
Aquela Casa
Perguntaram-me como foi viver nesta casa. É uma pergunta difícil de responder em poucas linhas.
Durante 7 anos da nossa vida, a casa, algures na cidade de Santarém, acolheu-nos e viu-nos crescer.
Conhecemos cada canto dela, e cada pormenor imaginado e realizado pela Mãe.
Viver lá…Foi acordar todos os dias e descer, ansiosa, para o pequeno-almoço tomado em família naquela linda cozinha, cujas grandes janelas nos põe entre os verdes do jardim entrelaçados no dourado do sol (e que saudades vou ter daquele cheirinho fresco da manhã, a verdes e flores!). Foi ver crescer cada árvore, cada arbusto e cada canteiro de flores plantados pela minha mãe com tanta dedicação – costumava até dizer que o jardim era a sua segunda casa! Ver crescer o pinheiro que assistiu ao primeiro Natal passado naquela casa. Era um pinheirinho – talvez com os seus 30cm de altura – que quisemos, passado o Natal, plantar no jardim e ver crescer, como já fizera o meu avô na sua quinta em Caminha. Agora está quase do meu tamanho, de suas verdes agulhas contra o alto muro.
E aquela grande sala… sala guardiã de conversas, gargalhadas, leituras, cinemas, amigos, memórias de avós de outrora, e nossas também. O que mudava era o cenário da estação: Nos Invernos a lareira enriquecia-a, e nos Verões o jardim fundia-se-lhe. E que delícia, a brisa do fim da tarde a entrar pelas brancas portadas abertas…!
Viver naquela casa foi, também, crescer entre as correrias do subir e descer das escadas (correrias essas inversamente proporcionais ao nosso crescimento). E por falar em subir… vamos subir um pouco na casa. O que dizer daquele sótão? Era a “casinha de bonecas” onde eu e as minhas irmãs vivíamos. O nosso mundo cor-de-rosa, por onde passaram muitas modas e mudanças, reflectidas naquele sempre mesmo espelho antigo, cor de marfim e de madeira. Decorados com o gosto fino da minha mãe, à inglesa antiga, aqueles três quartos e sala fizeram as nossas delícias – e as das nossas amigas também. Muito tempo lá passamos, nesse espaço que sentíamos como “nosso”, e diferente do resto da casa – era como ter a nossa “casa da árvore”. Lá estudámos, brincámos, vestimo-nos, maquilhámo-nos, saltámos ao som da mais variada música e fizemos as nossas palhaçadas – enfim, crescemos – longe do sossego do resto da casa, apenas debaixo do olhar das janelas envolto no tocar dos sinos da igreja do largo. Janelas essas por onde entrou o sol branco da manhã, o sol dourado da tarde, e o sol avermelhado do poente. Entrou o luar e a luz das estrelas. E até o cinzento melancólico dos tempos de chuva. Mas digo-vos, não há melhor do que janelas viradas para o céu.
Apesar de adorarmos o nosso sótão, sempre invejámos o Quarto da Mãe, onde as árvores e heras do jardim quase que entram pelas janelas dentro, trazendo o seu cheirinho a primavera, e onde o sol pinta a madeira de dourado. Mesmo ao lado, e quase tão bonito, com o mesmo privilégio verde da vista, está o quarto do meu irmão, o único rapaz de cinco filhos. E para trás não fica o escritório, que mistura recordações de muitas vidas, estantes cheias de livros, e muitas gavetas, cada uma com a sua função e com os seus papéis. Gavetas que olham para um pátio de tijoleira rodeado pelo jardim, onde estamos autorizados – em certa medida – a descansar o tempo que quisermos e a apanhar um bocado de sol na espreguiçadeira – como tantas vezes fizemos, sem preocupações, sem horas!
A magia desta casa tocou-nos a nós e aos nossos amigos – estes últimos são os primeiros a suspirar de saudades dela, e dos divertidos e bons momentos que cá passaram connosco, como que parte da família. Que bons tempos esses!
Uma vez li a seguinte frase, não me lembro onde, mas que faz sentido trazer aqui: “ao sair de qualquer lugar, faça-o com a certeza de que poderá voltar”. Talvez não possamos voltar a esta casa… mas àquilo que se passou durante sete anos entre quatro paredes – e que belas paredes! – poderemos sempre voltar, nas nossas memórias. E fá-lo-emos, certamente!
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Se é sensível não leia isto
Há uns dias surgiu em conversa o tema ‘Pó’. O que é, afinal, o pó? Esse maldito que nos entra pelas janelas e nos condena a tardes de limpeza? Poluição das ruas, até aqui tudo bem. O escape dos carros, as obras à porta do nosso prédio, o camião do lixo, o que trazemos para casa nos sapatos. Ok. Mas o que é realmente o pó? Sim, porque todos sabemos que o pó não vem só das ruas. Todos sabemos que se deixarmos uma casa fechada durante um tempo indeterminado, eis que está cheia de pó… e a rua não lhe teve acesso. Então, muito bruta e frontalmente como o fizeram comigo, digo-vos: o pó são restos mortos da nossa pele, animais mortos já desfeitos e excrementos de ácaros. Pensem bem se querem mesmo adiar a limpeza do "pó" em vossa casa.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Banquete Ambulante
Manhã solarenga. Descia eu toda bem disposta para o pequeno-almoço, quando reparo que está uma mosca morta a percorrer o parapeito da janela da cozinha. Eu não acredito em fantasmas, muito menos de insectos, mas aquele corpo preto e ressequido, com apenas uma asa já carcomida, não deixava muitas dúvidas acerca do estado de saúde da pobre desventurada. Reparei noutro facto curioso: estava a andar de barriga para cima. Aproximei-me para ver melhor, e – mistério resolvido! – estava uma formiguinha escondida debaixo do (agora) gigante e morto corpo da mosca. Ah, grande banquete! - pensei enquanto me nauseava. E ali fiquei, a observar e a admirar o esforço da formiga, lembrando-me das histórias que me contavam quando eu era pequenina sobre esses bichinhos trabalhadores. E que trabalho…! Lá ia ela, a muito custo, pela borda, a ser ultrapassada pelas coleguinhas apressadas. De vez em quando parava alguma – “Olha esta a afiambrar-se ao petisco!”, mas logo seguia o seu caminho. Um descuido, e a mosca quase caía do parapeito. Mas eis que, qual super-homem, a pequena formiga triplica o seu esforço e puxa-a de novo para cima, afastando-se mais da borda a fim de evitar a repetição do incidente. E, lenta, continuava. Em busca do seu destino, reparei que as outras formigas se dirigiam para o jardim pela frincha da janela (praticamente fechada). Frincha pela qual cabia uma formiga, mas não uma mosca.
Curiosa, mantive-me na observação. Chegando à tão desejada meta, a coitada bem que tentava subir com o seu festim e puxá-lo para dentro da mínima abertura, mas sem qualquer sucesso. Podia sentir na pele a sua aflição e frustração por tanto trabalho deitado ao lixo. E voltou a descer, como que a recuperar forças e a arquitectar uma solução para este problema. A pequena barriguinha já devia estar a dar horas, literalmente falando. Com pena dela, abri-lhe um bocado a janela. E aí, com a ajuda de mais duas formigas (como é que se diz por aí, “a união faz a força”?) vai uuuum, vai doooois e vai.. TRÊS! Já a finada está no caixilho da janela. Fitando com gozo, tento perceber os movimentos seguintes, já menos visíveis. Tudo o que consigo avistar é uma bola preta e peluda, com uma asa rendada, a agitar-se freneticamente sem sair do mesmo sítio. Ora desaparecia, ora voltava ao meu campo de visão, num frenesim. Adivinhava a confusão que corria na cabeça da formiga, sobre “como passar para o lado de lá do caixilho, e chegar finalmente ao jardim”. Entretida com este pensamento, e tendo o cuidado de não fechar distraidamente a janela esmagando num microssegundo horas de esforço e dedicação, fui tirar o meu café. “Esta natureza, realmente…!” Quando voltei a olhar, já nem sinais de mosca nem formiga, e fechei a janela para começar um novo dia.
Escrevo isto com uma mosca francamente irritante à minha volta, que não desiste de zumbir aos meus ouvidos e maçar-me de morte. Subitamente, desejo-lhe um destino tão feliz como o que acabara de assistir.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O sítio das coisas
Acho que posso estar segura quando digo que em quase todas as casas há uma pequena caixinha, tão pequena que achamos que não serve para nada; e quando, curiosos, a abrimos, eis-nos perante um clip, uma pilha, e uma moeda de 5 escudos. Ou um bocadinho de madeira partida, oriunda de um móvel qualquer (“para depois colar…”), um punaise, e um cadeado sem chave, ou uma pequena chave de um diário, que já não tem cadeado nem diário. Quer dizer, hão de estar por aí, algures…porque a casa não tem buracos. E então guarda-se. Desorganização? Provavelmente. Mas onde é que se guarda este tipo de coisas solitárias e pequeninas?! Afinal a “caixinha das coisas” tem utilidade: a de guardar coisas inúteis.
Nostalgia Falhada
Já tenho saudades do Inverno. Sim, aqueles dias que todos vocês conhecem, que parecem noites de tão escuros. Dias de chuva, frios como sei lá, em que apetece qualquer coisa excepto sair de casa. Mas sabe tão bem por aquela camisola de lã, acender só o candeeiro de luz amarela e aconchegante, ir buscar uma chávena de chá ou chocolate quente e umas bolachinhas com manteiga, por tudo num tabuleiro e levar para a sala para comer…sim, em frente à televisão! Claro, com a manta e o aquecedor a óleo ao lado. É todo um acto pelo qual nos devíamos sentir culpados, mas com um tempo desses não há quem aguente… parece que não há mais nada para fazer, e então o nosso sentimento de culpa desaparece num segundo.
Aqui há uns dias, em pleno Setembro, choveu a tarde toda, e senti a nostalgia desses hábitos invernais. Então preparei tudo tal e qual (excepto a manta e o aquecedor, e provavelmente em vez do chá tinha Ice Tea), aconcheguei-me no sofá, liguei a televisão, mas… estava sem sinal por causa da chuva. Que tristeza, aquele ecrã azul a fazer a contagem decrescente a partir dos 5 minutos, em contraste com o cinzento do céu lá fora. E, subitamente, eis que surgem outras coisas para fazer… mas só depois do lanche, claro.
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